Dentre os inúmeros temas discutidos na IV Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos, a ICCyber Brasil, ocorrida em setembro de 2007, um assunto ficou claro: O crackers estão na frente dos hackers, pelo fato de que não respeitam políticas e preceitos éticos na divulgação do saber! Exemplo clássico são vídeos no You-Tube, que ensinam como destravar os DRMs (Digital Rights Managment) do Windows Vista da Microsoft.
Eoghan Casey, perito computacional norte-americano, reiterou que enquanto as policias dependem de regras para compartilhar técnicas e ferramentas para investigação de crimes, os crackers disponibilizam e disseminam sua cultura nos diversos veículos web: “Ficar próximo dos criminosos digitais é superar barreiras políticas” argumenta.
Efetivamente, louváveis atitudes como a da Polícia Federal, que descompilou o tradicional software p2p de compartilhamento de músicas e arquivos (E-mule) e criou um software “do bem” denominado “Espiamule”, são raras! O EspiaMule, que tem como kernel o E-mule, vem auxiliando investigadores a apurar e identificar contrafatores digitais.
A grande questão que se coloca é: Violar software proprietário e executar reversing para apurar crimes digitais, não seria um crime maior?
Polêmica à parte, deve-se consignar que foi mais que hilário quando o sargento detetive Alan Thomas, da Scotland Yard (Counter Terrorism Command (CTC)), consagrado por apurar e prevenir crimes no mundo real que estavam sendo planejados no virtual, como as operações Rhyme e Theseus, ao ser indagando por um congressista acerca da veracidade da afirmação de que a polícia inglesa usava trojans para invadir pessoas em busca de crimes, respondeu em tom desconcertado: “Me desculpe, mas não poderei responder sua pergunta”.
Ou seja…
Em síntese, ficou latente que enquanto o Brasil se debruça nos crimes virtuais contra o patrimônio, a Europa e Estados Unidos focam sua batalha contra o cyberterrorismo, que encontra na Internet uma aliada de peso. Alberto Morales, da Guarda Civil Espanhola, informou que a AlKaeda vem utilizando ferramentas como Google Earth para reconhecer áreas para ataques à Bomba, o que ventila hipótese de que não só o Orkut, mas outros braços do Google deverão, nos próximos anos, serem compelidos a armazenarem informações de seus usuários, não só para lucrarem, mas para cooperarem na apuração de crimes eletrônicos (O Google Trends que o diga!)
Second Life ? Não parece ser preocupante (ainda). Perguntei ao Chefe de apuração dos crimes informáticos do FBI (Nctf.net), Eric Strom, sobre os riscos do Second Life e o principal enfoque foi a lavagem de dinheiro. Destaque-se que o tema Second Life foi muito debatido em todos os dias do evento.
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